quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Quando o Controle Falha: Sobre Frustração, Choro e Maternidade

Recentemente, uma paciente compartilhou uma situação comum, mas carregada de emoção: uma viagem complicada, um voo perdido, malas para carregar, uma criança pequena e horas de espera no aeroporto. O que parecia apenas um contratempo cotidiano se transformou em um momento de colapso emocional, marcado por choro, raiva e sensação de impotência. “Eu comecei a chorar desesperadamente… parecia que eu estava mostrando uma fraqueza.” No consultório, percebemos que esses momentos de perda de controle são, muitas vezes, pontos em que o real irrompe — situações que não podem ser totalmente planejadas ou controladas. Para essa paciente, o choro não é fraqueza: é um sinal do que não se simboliza, do que exige ser ouvido. Curiosamente, a filha pequena assumiu um papel de “apoio emocional” durante o episódio, mostrando que, às vezes, os filhos percebem nossa vulnerabilidade melhor do que nós mesmos. Esse episódio revela a tensão entre o ideal de mãe perfeita e firme e a realidade inevitável de não controlar tudo. Na escuta psicanalítica, propomos acolher esses momentos, sem tentar reprimi-los ou “consertá-los” imediatamente. É na angústia, no choro, na frustração que surgem sinais importantes sobre nossos limites, nossas responsabilidades e nossos desejos. A reflexão final é simples, mas profunda: o cotidiano nos confronta com o real de formas inesperadas. Reconhecer e acolher nossa vulnerabilidade nos permite estar presentes para nós mesmos e para quem amamos, sem nos perder na busca impossível pela perfeição.

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