terça-feira, 20 de maio de 2025
Por que meu filho se masturba?
“Descobrindo o corpo: A sexualidade infantil com acolhimento e respeito”.
É comum que, em algum momento, pais ou responsáveis se surpreendam ao ver uma criança tocando os próprios genitais. A primeira reação costuma ser de espanto, preocupação ou até medo: “Será que tem algo errado com ela?”, “Isso é normal?”, “Preciso proibir?”.
Antes de tudo, respire.
A masturbação infantil é uma parte natural do desenvolvimento — e compreender isso pode ajudar a lidar com o tema com mais tranquilidade, acolhimento e responsabilidade.
A descoberta do corpo começa cedo
Desde os primeiros meses de vida, os bebês exploram o próprio corpo: mãos, pés, boca... e também a região dos genitais. Isso acontece porque o corpo é uma fonte de descobertas e sensações. Quando uma criança percebe que certo toque gera prazer ou conforto, ela tende a repetir.
Essa curiosidade não tem um significado sexual como conhecemos na vida adulta. A criança ainda está formando sua relação com o corpo, com os limites e com o mundo à sua volta.
O que a psicanálise diz sobre isso?
A psicanálise — abordagem que estuda o desenvolvimento emocional e psíquico — entende que a sexualidade está presente desde a infância, mas de maneira muito diferente da sexualidade adulta.
Entre os 3 e 6 anos, por exemplo, é comum que a criança atravesse uma fase em que os genitais se tornam uma área de interesse maior. Freud chamou esse momento de “fase fálica”, onde surgem perguntas como “de onde vêm os bebês?” ou “por que o corpo da mamãe é diferente do meu?”. Nessa fase, tocar-se pode ser uma forma de lidar com a curiosidade e com as sensações.
Como os adultos devem reagir?
A forma como os pais e cuidadores respondem a esse comportamento pode marcar profundamente a relação da criança com o próprio corpo e com a sexualidade no futuro.
Evite gritar, punir ou envergonhar. Essas atitudes podem provocar sentimentos de culpa, medo ou repressão. Ao mesmo tempo, não é necessário fingir que nada está acontecendo.
O ideal é conversar com naturalidade e cuidado:
“Você está se tocando, né? Isso pode dar uma sensação boa, mas é algo que a gente faz em um lugar reservado, quando estiver sozinho.”
Assim, você transmite a mensagem de que o corpo não é errado ou feio, mas que há limites e contextos sociais que precisam ser aprendidos.
Quando se preocupar?
A masturbação infantil, por si só, não é um problema. No entanto, vale atenção se o comportamento:
for muito frequente e compulsivo;
causar ferimentos ou machucados;
vier acompanhado de falas ou comportamentos sexualizados demais para a idade;
surgir após mudanças bruscas no ambiente familiar ou contato com conteúdos inapropriados.
Nesses casos, é indicado buscar apoio profissional.
E se o tema me causa incômodo?
É comum que a sexualidade da criança desperte emoções fortes nos adultos: medo, raiva, vergonha... Às vezes, isso se relaciona com experiências dolorosas ou traumas do passado. Por isso, cuidar da própria história também faz parte de cuidar da criança.
Se esse for o seu caso, considere buscar escuta terapêutica. Um ambiente acolhedor pode ajudar a diferenciar o que vem da criança e o que é da própria história do adulto.
Em resumo:
A masturbação infantil é uma expressão do desenvolvimento saudável. Ao acolher a curiosidade da criança com respeito, sem tabus ou punições, você ajuda a construir uma relação positiva com o corpo e com os sentimentos — um passo importante para um crescimento emocional mais livre e seguro.
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